Prólogo

Em maio de 2005, fui convidada a fazer o discurso de abertura na Conferência Internacional Harran em Göteborg, na Suécia. Tudo que eu sabia era que essa seria uma reunião inter-religiosa entre pessoas das religiões abraâmicas, patrocinada pelo Embaixador da Suíça na Turquia. Após uma pesquisa rápida no Google, aprendi que Harran é uma cidade no sudeste da Turquia onde o Profeta Abraão viveu por um tempo e que aquela era a terceira Conferência Harran a focar no diálogo inter-religioso. Ela ocorreria na Suécia dessa vez para que os líderes religiosos da Turquia (por exemplo, os Patriarcas Ortodoxos Armênio, Sírio e Grego) pudessem estar em terreno neutro e sem a pressão de seus respectivos eleitorados. No processo de preparação dos meus comentários, almocei com Lynn Mitchell, um professor de religião em nossa universidade, que, eu sabia, retornara recentemente de uma viagem inter-religiosa à Turquia patrocinada, ele me disse, pelo Movimento Gülen local. Pelo que? Perguntei a ele. Ele começou a descrever o Sr. Gülen, o erudito religioso que era a inspiração por trás do movimento, como um muçulmano moderado, dedicado ao avanço da ciência e modernização por meio de projetos educacionais, e à ênfase em globalização e diálogo inter-religioso.

O professor Mitchell convidou-me a um seminário “Diálogo entre Civilizações” que ele estava copatrocinando no campus dedicado à exploração das ideias do Sr. Gülen. Foi na conferência que conheci dois bacharelandos do Movimento que estavam em nosso Departamento de Sociologia e cujas teses, mais tarde, eu supervisionei. Na minha amizade com esses alunos e outros que os seguiram em nosso programa, aprendi mais sobre a história, ideias, objetivos e projetos de serviço social inspirados pelo Movimento. Eu ensinava cursos em Sociologia das Religiões do Mundo e, desde o Onze de Setembro, perguntava repetidamente onde as vozes dos muçulmanos moderados poderiam ser ouvidas para contrabalançar o Islam radical que era continuamente apresentado na mídia nos EUA. Quanto mais eu aprendia sobre o Movimento Gülen, mais acreditava que ele era um exemplo de Islam moderado que se opunha a muito do que estava sendo apresentado na mídia.

Durante minha primeira visita à Turquia em 2006, visitei várias escolas inspiradas por Gülen, incluindo uma universidade e vários hospitais que construídos por ideais ensinados pelo Sr. Gülen. Estava claro que esse era um movimento crescente na Turquia, assim como na diáspora turca em todo o mundo. Também ficou evidente, pela qualidade das instituições que visitei, que esse era um movimento bem financiado.

Há décadas, minha pesquisa acadêmica estava focada em movimentos religiosos e, mais recentemente, no impacto de grupos religiosos nas vidas de novos imigrantes se estabelecendo nos Estados Unidos e, especialmente, em Houston, Texas. Cada vez mais, eu me tornava ativa nos círculos de diálogo inter-religioso. Como resultado, o interesse no Movimento Gülen como um próspero movimento religioso transnacional foi “natural” para mim. Além disso, passei a admirar muitos dos projetos de serviço social patrocinados pelo movimento, incluindo as escolas de qualidade, hospitais de ponta, uma próspera agência de ajuda humanitária e inúmeros eventos inter-religiosos que eram o selo de qualidade do movimento.

De um ponto de vista sociológico, dada a natureza voluntária da participação no movimento e a estrutura não hierárquica evidentes, eu estava especialmente interessada nas formas como as pessoas se organizavam para maximizar o compromisso com os objetivos e projetos do movimento. Um assunto relacionado a isso, envolvia a grande quantidade de dinheiro necessária para construção e manutenção dos projetos de serviço social. Qual era a fonte do dinheiro? Se, de fato, ele vinha de contribuições individuais, o que motivava as pessoas a doarem?

Para responder essas questões, lancei-me à tarefa de conduzir entrevistas semiestruturadas com uma ampla amostra de pessoas na Turquia e em Houston, Texas. A abrangência de características das pessoas que entrevistei está descrita na “Introdução”. Metodologicamente, meu compromisso era ser tão objetiva e científica quanto possível, fazendo perguntas, ouvindo respostas e registrando-as tão corretamente quanto possível para análise. Cada pessoa que entrevistei sabia que eu era uma professora e pesquisadora universitária tentando entender o movimento para que eu pudesse escrever um livro descrevendo o movimento, seus apoiadores e projetos.

Além de relatar o que ouvi, ao escrever esse livro, também exerci amplas interpretações analíticas embutidas no meu treinamento como socióloga. Eu escrevi, portanto, não como alguém de dentro que entendia o movimento por dentro, mas como uma acadêmica de fora que ouviu aos participantes e tentou capturar suas perspectivas tanto quanto possível ao mesmo tempo em que exercia uma perspectiva analítica informada pelo meu treinamento acadêmico. Meu objetivo enquanto escrevia o livro era relatar tão corretamente quanto possível o que aprendi com aqueles que entrevistei ao mesmo tempo em que analisava seus comentários pelas lentes da interpretação sociológica.

Há várias pessoas que eu gostaria de agradecer por sua valiosa contribuição para este livro. Dr. Y. Alp Aslandogan serviu como tradutor para as entrevistas que conduzi na Turquia. Além de suas habilidades como tradutor, aprendi muito sobre a história e cultura da Turquia conforme viajávamos entre os lados asiático e europeu de Istambul e a outras cidades na Turquia. No início do projeto, o Sr. Dogan Koc conduziu entrevistas com empresários em Ancara. Dr. Muhammed Cetin leu o manuscrito e fez sugestões valiosas, especialmente sobre fatos histórios e culturais que ampliaram o entendimento das contribuições do Sr. Gülen no período específico em que ele pregava na Turquia. Conversei com a Professora Maria Curtis da Universidade de Houston, Clearlake, para obter maior entendimento do papel da mulher no movimento. Simay Ozlu-Diniz, um bacharelando do nosso Departamento de Sociologia, ajudou-me a conduzir entrevistas com críticos do movimento que discuto no “Apêndice”. Minha filha, Sarah Ebaugh, leu o manuscrito e desafiou-me, especialmente no último capítulo, a ser mais explícita em minha argumentação de que o movimento presentemente não tem as características de um movimento sectário “perigoso”. Willemijn Arts, meu editor na Springer, encorajou-me em cada passo do processo de publicação e foi muito prazeroso trabalhar com ele. Agradeço a cada uma das pessoas que gastou seu precioso tempo conversando comigo sobre o movimento. Esse é realmente um livro sobre elas. E, finalmente, meu esposo, Albert L. Ebaugh, acompanhou-me em todas as quatro visitas que fiz à Turquia e na maioria das entrevistas que conduzi. Ele recebe o prêmio por ser um companheiro entusiástico, apoiador e envolvido.

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